Compartilhar dados bancários pelo Open Finance é um processo feito pelo app ou internet banking da instituição que vai receber as informações — não da que já as tem. Você autentica o consentimento no ambiente seguro do seu banco de origem e, a partir daí, a nova instituição passa a enxergar seu perfil financeiro real: renda, histórico de pagamentos, movimentações e mais. O resultado pode ser ofertas de crédito com taxas menores, limites mais altos e produtos calibrados ao que você de fato representa como cliente — não ao perfil genérico de quem está começando do zero.
Ao longo deste artigo você vai encontrar o passo a passo completo para compartilhar seus dados, a lista de quais informações podem ser enviadas e como cada uma delas influencia as condições que você pode receber. Também abordamos os cuidados de segurança essenciais, os cenários concretos de antes e depois do compartilhamento e os critérios para avaliar se as novas propostas que chegarem valem a pena.

O que é o Open Finance e por que compartilhar dados bancários pode valer a pena
O Open Finance é um sistema regulado pelo Banco Central do Brasil que dá ao titular dos dados o direito de levar seu histórico financeiro de uma instituição a outra. Bancos, fintechs, cooperativas de crédito e outras entidades participantes se conectam por meio de APIs seguras, e a pessoa decide o que compartilha, com quem e por quanto tempo.
Antes do Open Finance, trocar de banco significava recomeçar do zero. Sem histórico de relacionamento, sem registro de pagamentos em dia, sem evidência de renda — tudo precisava ser reconstruído. Isso colocava quem migrava em desvantagem na hora de pedir crédito ou negociar taxas, independentemente de ter um perfil financeiro sólido.
Com o sistema em vigor, esse histórico acompanha a pessoa. Instituições que recebem os dados conseguem fazer uma análise mais precisa do perfil real do cliente e, com isso, têm condições de oferecer produtos mais competitivos. A adesão é voluntária: ninguém compartilha nada sem autorizar de forma ativa.
Quais dados bancários podem ser compartilhados no Open Finance
O titular escolhe quais categorias de dados quer compartilhar a cada consentimento. Não é tudo ou nada — é possível selecionar apenas o que faz sentido para o objetivo em questão. As categorias disponíveis incluem:
- Dados cadastrais: nome, CPF, endereço e informações de renda declarada
- Dados de conta: saldo, extrato de transações e movimentações recentes
- Dados de cartão de crédito: fatura, limite total e limite utilizado
- Operações de crédito: empréstimos e financiamentos ativos, com histórico de pagamentos
- Investimentos: saldo e composição da carteira em outras instituições
- Seguros e previdência: apólices ativas e contribuições (quando aplicável)
Cada tipo de dado tem um impacto diferente nas condições que a instituição receptora pode oferecer. O histórico de pagamentos em dia — mesmo que em outro banco — tende a reduzir o risco percebido e pode influenciar a taxa de juros em um empréstimo. Os dados de renda ajudam a calibrar limites de crédito com mais precisão. E o saldo em investimentos pode sinalizar capacidade financeira que, sem o Open Finance, seria invisível para a nova instituição.
Passo a passo para compartilhar seus dados no Open Finance
O processo começa sempre na instituição que vai receber os dados — não na que já os possui. Você acessa o app ou internet banking do banco ou fintech de destino e inicia o fluxo de dentro dele. Veja como funciona na prática:
- Acesse o app da instituição receptora e localize a opção de Open Finance (pode estar em “Serviços”, “Configurações” ou em uma seção específica de Open Finance).
- Selecione a instituição de origem dos dados — o banco ou fintech onde suas informações já estão armazenadas.
- Escolha as categorias de dados que deseja compartilhar (dados de conta, cartão, crédito, investimentos etc.).
- Defina o prazo do consentimento, que pode ser de até 12 meses.
- Seja redirecionado ao app da instituição de origem para autenticação — esse redirecionamento é parte do processo oficial e esperado.
- Confirme o compartilhamento com sua senha, biometria ou outro método de autenticação do banco de origem.
- Retorne ao app da instituição receptora e verifique a confirmação de que o compartilhamento foi efetivado.
Vale reforçar: o consentimento pode ser revogado a qualquer momento, pelo app de qualquer uma das instituições envolvidas, sem custo e sem necessidade de justificativa. Você mantém o controle durante todo o período autorizado.

Como o compartilhamento de dados pode gerar condições financeiras mais vantajosas
Compartilhar dados no Open Finance não é um fim em si — o valor está no que as instituições podem oferecer a partir dessas informações. Veja como isso se traduz em condições concretas.
Ofertas de crédito ajustadas ao seu perfil real
Quando uma instituição recebe dados de histórico de pagamentos, renda e movimentação financeira, ela consegue fazer uma análise de risco mais precisa do que com base apenas nas informações que tem internamente. Isso tende a beneficiar quem tem um perfil financeiro consistente, mas que ainda não foi “visto” por aquela instituição.
O resultado poderia ser uma taxa de juros menor em um empréstimo pessoal, um limite de cartão mais adequado ao volume de renda real ou a oferta de produtos de investimento alinhados ao patrimônio existente. Nada disso é garantido — a decisão final depende da política de cada instituição —, mas o compartilhamento amplia o conjunto de informações disponíveis para a análise.
Produtos de crédito com taxas mais competitivas, limites ajustados e condições personalizadas são mais prováveis quando a instituição enxerga o perfil completo do cliente, e não apenas o comportamento nos primeiros meses de relacionamento.
Cenários de antes e depois do compartilhamento
Para tornar isso mais concreto, considere algumas situações reais:
Cenário 1 — Histórico de pagamentos invisível: Uma pessoa paga aluguel, contas e parcelas em dia há anos, mas toda essa movimentação está concentrada em um banco. Ao abrir conta em uma fintech e solicitar crédito, ela parte do zero para aquela instituição. Com o Open Finance, esse histórico pode ser compartilhado, e a fintech passa a considerar um perfil de pagamento que antes era invisível para ela.
Cenário 2 — Patrimônio em investimentos: Quem tem uma carteira de investimentos em uma corretora e busca crédito em outro banco pode compartilhar os dados de patrimônio. O saldo investido pode ser levado em conta na análise, o que poderia influenciar o limite oferecido.
Cenário 3 — Renda variável ou informal: Para quem tem renda variável — como pessoas que trabalham por conta própria —, a movimentação em conta ao longo dos meses pode ser o principal indicador de capacidade de pagamento. Compartilhar o extrato de transações oferece uma visão mais completa do que um holerite isolado.
Apps como o do Mercado Pago, por exemplo, participam do ecossistema do Open Finance e podem receber dados de outras instituições para personalizar ofertas de crédito e outros produtos financeiros ao perfil de quem autoriza o compartilhamento.
Segurança no Open Finance: cuidados ao compartilhar dados bancários
A segurança é uma das preocupações mais comuns de quem considera compartilhar dados bancários. O Open Finance foi estruturado com camadas de proteção, mas a pessoa titular também tem um papel ativo.
O que a regulamentação garante
O sistema se apoia em três pilares fundamentais. O primeiro é o consentimento: nada acontece sem a autorização ativa do titular — as instituições não podem acessar dados por conta própria. O segundo é a criptografia: todas as informações são transmitidas por meio de APIs protegidas, sem exposição dos dados em texto aberto. O terceiro é a autenticação: a confirmação do compartilhamento acontece dentro do ambiente seguro da instituição de origem, com os mesmos mecanismos de segurança que a pessoa já usa no dia a dia.
O sistema segue as regras do Banco Central do Brasil e está alinhado à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), o que garante direitos como acesso, correção e exclusão das informações compartilhadas.
Como se proteger de tentativas de golpe
Conhecer o funcionamento do processo é a melhor forma de identificar abordagens suspeitas. Alguns cuidados práticos:
- Todo o fluxo do Open Finance acontece dentro do app ou internet banking oficial — desconfie de links recebidos por e-mail, SMS ou WhatsApp que peçam autorização de compartilhamento
- Nenhuma instituição participante solicita senha por mensagem ou por telefone
- Antes de autorizar, verifique se a instituição receptora consta na lista de participantes autorizados disponível no site do Banco Central
- Revise os consentimentos ativos com frequência pelo app do seu banco — é possível ver o que está ativo e revogar o que não faz mais sentido
- Em caso de suspeita de uso indevido, entre em contato com a instituição envolvida e registre uma reclamação diretamente no Banco Central
Perguntas frequentes sobre Open Finance e compartilhamento de dados
O compartilhamento de dados no Open Finance é obrigatório?
Não. A adesão ao Open Finance é voluntária. A pessoa titular decide se quer compartilhar, quais categorias de dados incluir, com qual instituição e por quanto tempo — sem nenhuma obrigação de participar.
Posso cancelar o compartilhamento de dados a qualquer momento?
Sim. O consentimento pode ser revogado pelo app ou internet banking de qualquer uma das instituições envolvidas, sem custo e sem necessidade de justificativa. O cancelamento encerra o acesso da instituição receptora aos dados a partir daquele momento.
Compartilhar dados no Open Finance garante que vou receber taxas menores?
Não há garantia. O compartilhamento permite que a instituição receptora avalie seu perfil com mais informações, o que pode resultar em condições mais competitivas. Mas a decisão final sobre taxas, limites e produtos depende da política interna de cada instituição.
Quais instituições participam do Open Finance no Brasil?
A lista de participantes é regulada pelo Banco Central e inclui bancos tradicionais, fintechs, cooperativas de crédito e instituições de pagamento. A relação completa e atualizada pode ser consultada no site oficial do Banco Central do Brasil.
O Open Finance compartilha minha senha bancária com outras instituições?
Não. Senhas nunca são compartilhadas. A autenticação acontece dentro do ambiente seguro da instituição de origem, e apenas os dados autorizados são transmitidos por meio de APIs criptografadas. A senha fica restrita ao banco onde você já a utiliza.
Se você quer explorar o Open Finance como uma forma de acessar ofertas mais alinhadas ao seu perfil, o app do Mercado Pago é uma das opções disponíveis dentro do ecossistema. Por meio dele, é possível autorizar o recebimento de dados de outras instituições e verificar se as condições disponíveis fazem sentido para o seu momento financeiro. Vale comparar as propostas recebidas antes de tomar qualquer decisão.
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