Criar pacotes especiais para turistas estrangeiros envolve entender as expectativas culturais de cada grupo, oferecer soluções de pagamento acessíveis para quem compra do exterior e adaptar toda a comunicação ao idioma e aos hábitos do público internacional. Não se trata de empilhar atrações conhecidas num PDF traduzido pelo Google — o diferencial está em apresentar o Brasil com o olhar de quem chega pela primeira vez, com informações claras, logística resolvida e experiências que vão além do óbvio.
Ao longo deste artigo, você vai encontrar orientações práticas para identificar o perfil dos turistas internacionais que visitam o Brasil, montar roteiros com apelo cultural autêntico, resolver a parte operacional do pacote, precificar com clareza, receber pagamentos do exterior e divulgar sua oferta nos canais certos para alcançar esse público.

Quem são os turistas estrangeiros que visitam o Brasil
Antes de montar qualquer pacote, vale entender de onde vêm essas pessoas e o que elas esperam encontrar no Brasil.
Principais mercados emissores e o que cada perfil busca
Os maiores mercados emissores de turistas para o Brasil incluem Argentina, Estados Unidos, Chile, Alemanha, França, Portugal e Itália, conforme dados do Ministério do Turismo e da Embratur. Cada grupo carrega expectativas distintas: turistas argentinos e chilenos costumam valorizar destinos de praias e festas populares, com boa infraestrutura e preços competitivos em relação ao câmbio. Já turistas norte-americanos e europeus, em geral, buscam experiências de natureza, ecoturismo e imersão cultural — e costumam ter um orçamento mais alto e maior disposição para pacotes mais elaborados.
O perfil europeu, em particular, demonstra interesse crescente por turismo sustentável, vivências em comunidades locais e destinos fora do circuito mais conhecido. Conhecer essas diferenças permite criar pacotes com propostas distintas para cada origem, em vez de oferecer um único modelo para todos.
Diferenças de expectativa entre turistas internacionais e locais
Turistas estrangeiros chegam ao Brasil com um nível de pesquisa prévia diferente do de quem já conhece o país. Eles dependem mais de informações claras sobre segurança, logística e o que esperar de cada destino — e qualquer lacuna de comunicação pode gerar desconfiança antes mesmo da compra. A barreira do idioma também pesa: mesmo quem fala inglês pode ter dificuldades com serviços locais que operam só em português.
Outro ponto relevante é a relação entre autenticidade e conforto. Turistas internacionais, em especial os europeus e norte-americanos, valorizam experiências genuínas, mas sem abrir mão de um padrão mínimo de infraestrutura e segurança. Isso difere do perfil de turistas brasileiros, que costumam ter maior tolerância a imprevistos e conhecem melhor as dinâmicas locais.
Como montar pacotes especiais com experiências autênticas
O desenho do pacote é a etapa em que a proposta ganha forma — e é aqui que a personalização faz diferença para o público de fora.
Seleção de roteiros e atividades com apelo internacional
Destinos como Rio de Janeiro e Foz do Iguaçu continuam relevantes, mas a curadoria de roteiros para turistas estrangeiros pode ir muito além deles. Regiões como o Pantanal, a Chapada Diamantina, o Delta do Parnaíba e o Vale do Ribeira oferecem experiências de natureza com alto apelo para quem vem de fora — e com menor concorrência. A organização por tema ajuda a segmentar a oferta:
- Ecoturismo e natureza: Pantanal, Amazônia, Chapada dos Veadeiros
- Cultura afro-brasileira: Salvador, São Luís, Recife
- Festas populares: Carnaval, Festa Junina, Círio de Nazaré
- Gastronomia regional: roteiros pelos estados com culinária mais distinta
- Aventura e esportes: Bonito, Brotas, Praia do Rosa
Cada tema atrai um perfil diferente e permite construir pacotes com identidade própria, em vez de roteiros genéricos que poderiam ser de qualquer destino.
Gastronomia, cultura e vivências locais como diferencial
A gastronomia brasileira tem apelo internacional crescente, e incluí-la como elemento central do pacote — e não como um extra — eleva a proposta de valor. Visitas a feiras livres, aulas de culinária regional, degustação de cachaças artesanais ou experiências em quilombos e aldeias indígenas criam memórias que nenhum hotel cinco estrelas oferece por conta própria.
O mesmo vale para música, artesanato e tradições locais. Um passeio a um ateliê de cerâmica no Nordeste ou uma roda de samba num bar histórico do Rio valem mais, para muitos turistas internacionais, do que mais um city tour de ônibus. Adaptar essas experiências a diferentes faixas de orçamento — com versões mais acessíveis e versões premium — amplia o alcance do pacote sem comprometer a essência.
Logística e questões práticas para turistas de outros países
A parte operacional do pacote pode definir a experiência do turista — e também a reputação de quem vende.
Documentação, seguros e requisitos de entrada
O Brasil exige visto de alguns países e tem acordos de isenção com outros — essa informação precisa estar clara no pacote desde o início. Orientar o turista sobre os documentos necessários, os prazos de solicitação de visto e eventuais exigências sanitárias é parte do serviço. Quem vende o pacote não precisa resolver isso pelo cliente, mas precisa informar com antecedência.
O seguro viagem merece atenção especial. Incluí-lo no pacote, ou ao menos oferecer como opção com parceiros confiáveis, transmite segurança para quem compra de fora. Turistas europeus, em particular, têm o hábito de contratar seguro antes de qualquer viagem internacional — e a ausência dessa informação no pacote pode gerar desconfiança.
Transporte, hospedagem e suporte em outros idiomas
A logística interna — como deslocamentos entre destinos, transfers de aeroporto e transporte durante os passeios — precisa estar descrita com clareza no pacote. Turistas estrangeiros têm menos familiaridade com as opções de transporte no Brasil e dependem de orientação para não se perder. Parcerias com empresas de transporte confiáveis e com motoristas que falem inglês ou espanhol fazem diferença.
Na hospedagem, o padrão esperado por turistas internacionais costuma incluir comunicação em inglês, café da manhã com opções variadas e acesso a informações sobre o destino. Não é necessário trabalhar só com hotéis de luxo — pousadas bem avaliadas e com atendimento bilíngue podem ser uma escolha mais autêntica e igualmente bem recebida. O suporte durante a viagem, com um contato disponível para dúvidas em inglês ou espanhol, fecha o ciclo de confiança.

Precificação e formas de pagamento para turistas estrangeiros
A precificação para o público internacional exige uma decisão estratégica: cobrar em reais com conversão transparente ou apresentar os valores diretamente em dólar ou euro. A segunda opção tende a gerar mais confiança para quem compra do exterior, pois elimina a incerteza sobre o câmbio no momento do pagamento. De qualquer forma, a clareza sobre o que está incluído no preço — e o que não está — é indispensável para evitar frustrações.
A variação cambial é um fator de risco real. Quem precifica em moeda estrangeira precisa considerar uma margem que absorva oscilações sem comprometer a rentabilidade. Uma alternativa é trabalhar com preços em reais, mas com simuladores de conversão no momento da compra — alguns sistemas de pagamento oferecem essa funcionalidade de forma integrada.
Para receber pagamentos de turistas que ainda estão fora do Brasil, as opções incluem cartões de crédito internacionais, transferências bancárias internacionais e links de pagamento gerados por apps. Por exemplo, o app do Mercado Pago permite criar links de pagamento e oferecer parcelamento, o que pode facilitar a conversão para quem compra com antecedência. Outras ferramentas do mercado, como PayPal e plataformas de OTAs internacionais, também cumprem essa função — a escolha depende do volume de vendas e das taxas envolvidas.
Antes de definir o meio de recebimento, vale comparar as taxas de câmbio aplicadas, as tarifas por transação e o prazo para o dinheiro cair na conta. Esses fatores impactam diretamente a margem do pacote.
Divulgação de pacotes turísticos em canais internacionais
Alcançar turistas estrangeiros exige presença nos canais onde eles pesquisam viagens — e esses canais raramente são os mesmos usados para o público brasileiro. Plataformas como TripAdvisor, Viator, GetYourGuide e Booking Experiences concentram grande parte das buscas de turistas internacionais por atividades e pacotes. Ter cadastro atualizado nessas plataformas, com descrições em inglês e espanhol e fotos de qualidade, é o ponto de partida.
Nas redes sociais, o conteúdo em inglês e espanhol amplia o alcance de forma considerável. Não é necessário criar perfis separados — uma estratégia de postagem bilíngue ou trilíngue no Instagram e no YouTube já posiciona o negócio para públicos diferentes. Parcerias com criadores de conteúdo de viagem que têm audiência internacional podem gerar visibilidade qualificada, com menor custo do que anúncios pagos.
As avaliações de turistas anteriores funcionam como prova social decisiva para quem compra de fora. Uma pessoa que nunca esteve no Brasil e não conhece sua empresa vai confiar, antes de tudo, no que outras pessoas disseram sobre a experiência. Incentivar avaliações no Google, no TripAdvisor e nas plataformas de reserva — e responder a todas elas, inclusive as negativas — constrói reputação de forma consistente.
Participar de feiras internacionais de turismo, como a WTM London ou a ITB Berlin, coloca o negócio em contato com agências receptivas e operadoras estrangeiras que podem se tornar parceiras de distribuição. Para quem está começando, feiras regionais e eventos do setor no Brasil já oferecem contato com compradores internacionais.
Turismo responsável como valor agregado nos pacotes
O turismo responsável deixou de ser um diferencial para se tornar um critério de escolha para uma parcela crescente de turistas europeus e norte-americanos. Pacotes que incluem práticas sustentáveis — como roteiros que apoiam comunidades locais, uso de guias da própria região e respeito a áreas de preservação ambiental — têm apelo direto com esse público. Não se trata de um rótulo de marketing, mas de escolhas concretas na montagem do roteiro.
Incluir fornecedores locais no pacote — restaurantes de bairro, artesãos, transporte de pequenos operadores — distribui a renda de forma mais ampla e cria uma experiência mais genuína. Turistas que viajam com esse valor em mente costumam pesquisar ativamente por negócios com esse posicionamento, e certificações como o Turismo Responsável do Ministério do Turismo ou selos de sustentabilidade reconhecidos internacionalmente ajudam a comunicar essa proposta.
A reputação do negócio também se beneficia dessas práticas. Avaliações que destacam o impacto positivo da viagem na comunidade local têm peso diferente das que apenas elogiam o hotel ou o passeio — e contribuem para atrair um perfil de turista com maior disposição a pagar por experiências de qualidade.
Perguntas frequentes sobre pacotes para turistas estrangeiros
Preciso de cadastro no Cadastur para vender pacotes turísticos?
Sim, agências de turismo precisam de registro no Cadastur para operar de forma regular no Brasil. O cadastro é obrigatório para a comercialização de pacotes turísticos e garante ao consumidor que o prestador de serviço atende às exigências legais do setor.
Qual o melhor idioma para oferecer pacotes a turistas estrangeiros?
O inglês é o idioma mais abrangente para alcançar turistas de diferentes origens, mas o espanhol é estratégico para o público da América Latina — que representa uma fatia relevante do turismo receptivo brasileiro. Adaptar materiais aos dois idiomas amplia o alcance sem exigir investimento desproporcional.
Como definir o preço de um pacote para turistas de outros países?
O ponto de partida é calcular todos os custos em reais e depois avaliar como apresentar os valores ao público estrangeiro — com conversão para dólar ou euro, ou com simulador de câmbio no momento da compra. Pesquisar os preços praticados por concorrentes internacionais para o mesmo destino ajuda a calibrar a proposta sem sair do mercado.
É possível receber pagamentos do exterior por apps de pagamento?
Alguns apps e plataformas de pagamento permitem transações com cartões internacionais ou links de pagamento acessíveis de qualquer país. Antes de escolher o meio de recebimento, vale verificar as taxas de câmbio aplicadas, as tarifas por transação e o prazo de liquidação, pois esses fatores impactam diretamente a margem do pacote.
Para quem vende pacotes turísticos e precisa receber pagamentos de clientes que ainda estão fora do Brasil, o app do Mercado Pago oferece a criação de links de pagamento e a opção de parcelamento — o que pode facilitar a conversão antes mesmo da viagem começar. Vale comparar as condições com outras ferramentas disponíveis no mercado e escolher a que melhor se adapta ao volume e ao perfil do seu negócio.
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